segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Um breve pensar sobre a felicidade
Sem precisar de remédios, objetos ou situações?
É uma busca árdua, incessante, diária. Muitas vezes sentimos vontade de desistir por achar impossível alcançá-la. Mas em seguida recobramos a lucidez e entendemos que a felicidade é sim possível. E que só depende de nós.
Talvez seja essa nossa maior angústia. Saber que a felicidade depende de nós.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Ela e a vida
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Sem viver
Cada dia as pessoas estão mais longe. Mais longe da sua origem, da sua essência, do seu ser.
Não sabem o que são, para onde vão.
Andam. Caminham. Correm.
Sem pensar, sem sonhar. Sem viver, sem amar. Sem acordar.
Dormindo estão. Dormindo só podem estar.
Não vêem, não crêem, não lêem.
Andam. Andam. E andam. Sem pensar. Sem sonhar. Sem amar. Sem viver.
O amor ficou distante. O sonho impossível.
Só se deseja realizar. É tudo no concreto.
O imutável, o intransponível, o irrealizável desapareceram.
Querem apenas ter.
É o medo de encontrar. O medo de se realizar.
Medo de ser feliz. Medo de amar. Medo de desejar. Medo de ser. Medo de viver.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Resoluções de Ano Novo
Aliás, esse ano quero fazer muitas coisas! E todas elas com um único objetivo: ser feliz! No Facebook está circulando um aplicativo sobre o que vai acontecer em 2010. Claro que não é nada sério, nada científico. Mas, curiosa que sou, cliquei e... saiu uma nova vida! Não sei se isso é bom ou ruim. Mas pelo menos significa mudança! E é isso que estou buscando. Por muito tempo eu tive pavor de mudanças... Hoje eu não vivo sem uma! A vida não tem a menor graça se nós não nos permitimos viver. E não há a menor possibilidade de viver sem experimentar qualquer mudança. É com ela que crescemos, aprendemos. A vida é dinâmica. E essa é a sua beleza. Há sempre uma possibilidade, não importa a idade, de fazer algo diferente.
Confesso a vocês que diante de tragédias como estas que aconteceram em Angra e Ilha Grande, tragédias onde morrem tantas pessoas de modo repentino, penso em como não temos o menor controle sobre a vida. Não importa quanto dinheiro tenhamos acumulado em nossa conta bancária. Por isso, temos que aprender a valorizar a vida. Temos que ser sábios e apreciá-la a cada segundo. É importante que vivamos plenamente e integralmente cada instante, dando um pouco mais de atenção ao que verdadeiramente importa. Buscando sempre ser feliz. Muito feliz. Citando Mario Quintana: “(....) não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais...”
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Espírito natalino
O que é o espírito de Natal afinal? Comprar, brigar, se stressar? A noite de Natal é muitas vezes regada de hipocrisia. Mas não pensem que sou contra o Natal. Só não compartilho da visão de Natal como uma data de pura convenção social e de consumo. Penso que deveriamos nos ocupar mais nessa época do ano em refletir. Precisamos comprar tantos presentes? Outro dia comentei com um amigo que eu acho que no Natal ninguém deveria comprar presente para ninguém. Que deveriamos sim nos reunir para confratenizar, para nos reconciliar... E que o dinheiro gasto em presentes seria doado. Ele me olhou e disse: mas aí você acaba com a magia do Natal! O que é a magia do Natal? Reunir pessoas em torno de uma mesa para comer peru e trocar presentes depois?
São muitas as pessoas que vivem em nosso país abaixo da linha da pobreza. Que não só na noite de Natal como em quase todas as noites do ano não tem o que comer. Crianças que não tem o que vestir nem com o que brincar. Crianças que não tem o direito de serem crianças. Então me desculpem, mas me incomodo sim com a enorme quantidade de presentes caros que trocamos em volta de uma mesa farta enquanto do lado de fora a vida é bem diferente...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Nosso Brasil é fantástico
Então qual o problema da jovem que venceu o concurso Menina Fantástica declarar em entrevista que ficou muito feliz com sua vitória e que até rezava para que isso acontecesse para que ela não precisasse passar pelo vestibular? Quem pode criticá-la?
Ela é só mais uma a sonhar em ser modelo ou atriz. Tanto faz. E para isso não precisa de diploma. Precisa de beleza e sorte. Temos em nosso brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro, uma ex-miss e ex-BBB que hoje é considerada uma “grande” artista de televisão, uma “revelação”. Resultado da combinação de beleza e sorte. E uma boa agente, claro.
A menina que não queria ter que passar pelo vestibular é só uma jovem que vive em um país tão fantástico que o próprio presidente não tem nível superior. Não me levem a mal. Não acredito sinceramente que cursar uma faculdade faça alguém melhor ou pior, nem mais inteligente. Aliás, estudei com pessoas que mal sabiam o português. Me perguntava como haviam passado no vestibular. A questão é o valor que damos para a educação. Ou melhor, a questão ainda mais crucial é: a quê damos valor?
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Cena Carioca
- Atenção senhores passageiros. Mantenham suas bolsas e mochilas na sua frente. Não deixem seu celular à mostra. A sua segurança depende de você. (?!?!)
Foi igual a uma outra vez em que uma moça foi assaltada em seu carro e uma amiga disse que a culpa era dela (da moça). Perguntei porque a culpa seria da vítima. Ela me respondeu tranquilamente: “Ué, quem manda deixar a bolsa em cima do banco!” Faltou quase dizer: “Bem feito para ela!”.
Ou eu estou doida ou o mundo é que está. O Estado não oferece educação e saúde, o que faz com que muitos partam para a criminalidade, e eu cidadão é que sou culpado? É meu dever me preocupar com a segurança pública? E qual o dever do Estado? Ganhar eleição para sediar as Olimpíadas?
Socorro! Para tudo que eu quero descer!
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Mulher Fruta
Nós somos muito mais que um belo corpo. Mas o pior é que tem mulher que gosta de ser vista como um pedaço de carne, de fruta. Haja vista a quantidade de mulher fruta que aparece em cada esquina.
Quando é que a mulher vai entender que ela é mais do que isso? Que ela pode e deve ser adimirada pelo que pensa, pelo que sente e passar a investir mais nisso! Ao invés de passar cinco, dez horas dentro de uma academia. Porque depois não adianta reclamar que o cara a trocou por outra. Foi apenas uma troca de mercadoria.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Hora do soninho
Tenho sim.
Qual?
Dormir
Dormir? Como assim?
Ué, como se dorme? Fechando os olhos e dormindo.
Mas no trabalho? No meio do expediente?
É!
Mas como? O chefe vai ver!
O chefe por acaso vai ao banheiro com você?
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Dias nublados
Cariocas não gostam de dias nublados. E não gostam mesmo. Eu não gosto. Quero sol, muito sol. Gosto da vida ensolarada, iluminada, alegre, feliz. Dias nublados escondem a beleza da vida. O verde não fica tão verde. O azul não é azul. Até o humor das pessoas muda.
Em dias ensolarados todos parecem sorrir mais. Em dias nublados? Vejo uma nuvenzinha em cima da testa de cada um. Parece algo automático. Talvez poucos percebam isso. Mas acontece.
Carioca gosta de sol, de praia, de vida. Dizem até que trabalham menos. Não é verdade. Trabalham igual, ou mais. A diferença é que sabem aproveitar também da beleza que é viver em uma cidade maravilhosa, tão maravilhosa que será até de sede das Olimpíadas.
Olimpíada tem tudo a ver com o Rio de Janeiro. É um evento alto-astral, um evento para dias com sol. Pena que em meio a tudo isso há a pobreza, miséria, sujeira, violência e a falta de educação de certos moradores e políticos. Moradores que insistem em avançar o sinal, jogar lixo pela janela do carro (importado, diga-se de passagem). Políticos que mais parecem ter saído de programa humorístico. Esses sim são nuvens daquelas que produzem muita trovoada. E não são passageiros... Infelizmente...
Mas tudo bem. Apesar de seus dias nublados esta é mesmo uma cidade maravilhosa.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Mitos não morrem
Michael Jackson marcou a minha infância. Lembro-me até hoje da primeira vez que assisti ao clipe de “Thriller” na televisão. Fiquei tão impressionada que quase não dormi de noite. E olha que a TV não era de 42 polegadas e a transmissão não era em alta definição. E como não lembrar também de “Bad”, “Billy Jean”. Recordo-me também que, assim como eu, todas as crianças da minha idade queriam imitar o famoso “passo” do cantor. Aquele passo de dança em que ele parece estar andando para frente, mas na verdade anda para trás, e que ficou conhecido como moonwalk. Algo que só parecia possível a um mito fazer. Um passo imitado até hoje. E aquela jaqueta vermelha? Todos os meninos queriam uma.
Não há dúvida que para mim, como para toda uma geração Michael Jackson representa um mito. Diante de tanta genialidade e excentricidade, ele era mesmo quase um ser mitológico. Alguém difícil de acreditar que existia. Mas as suas fantásticas obras musicais são a prova viva não só de que ele existiu, mas como foi alguém genial e incomum.
Como dizem que mitos não morrem – e talvez venha daí aquela velha história de que Elvis não morreu - para mim, quem morreu em 25 de junho de 2009 não foi o mito que marcou minha infância. Quem morreu foi Michael Joseph Jackson, um ser-humano como nós, com uma história de vida conturbada, cheia de polêmicas, tristezas e algumas alegrias. Quem morreu foi um homem aos 50 anos de idade que sofria de inúmeros problemas emocionais e físicos. Um ser-humano que fechou mais um capítulo da história da sua vida. A nós, nos resta desejar que ele encontre a Paz.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
A liberdade de ser livre
É inegável a alegria e o bem-estar que sentimos quando somos livres. Quando podemos sentir o vento, a onda do mar, o calor, o sol, o frio. Quando podemos sentir tudo, quando nos permitimos sentir tudo. Sem nenhuma censura. É dessa liberdade que falo. Da liberdade de ser.
A liberdade é um direito nosso. Não devemos nunca em nome de nada e nem de ninguém abrir mão disso. Não devemos colocá-la em dúvida. Não devemos jamais deixar de exerce-la. Ser livre é o melhor da vida. Ser livre é ter posse de si mesmo.
Podemos ser e vir a ser tudo aquilo que desejamos. E não precisamos ter nada para conseguir isso. Nem dinheiro, nem cartão de crédito. Basta que queiramos ser. Basta a nossa vontade. A liberdade é tão fantástica que nos concede a liberdade de sermos livres. Ou não. A escolha é nossa. Sempre.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Uma profissão diferente
- Primeira vez?
Ela disse:
- Sim.
- Então a senhora preenche essa ficha.
E quando ela estava preenchendo sorriu e disse:
- Eu adoro isso.
- A senhora adora o que?
- Preencher minha profissão.
Quando a recepcionista pegou a ficha e leu, fez uma cara estranha. E uma mocinha que estava do lado ouvindo a conversa e leu a ficha disse:
- Mas a senhora colocou aqui que a sua profissão é mãe! Eu achei que a senhora ia colocar que era diretora dessas empresas de nome importante...
- Não. Eu sou mãe e com muito orgulho.
- Ora. A senhora me desculpa... Mas isso toda mulher que tem filho é.
- Nem sempre, minha filha.
- Como assim nem sempre?
- É que tem mulher que sai para trabalhar e quem leva o filho na creche é a babá.
- E daí?
- E daí que quem busca o filho na creche também é a babá.
- E daí?
- E daí que quem coloca o filho para dormir...
- Já sei, já sei... É a babá!
- Pois é.
- Mas qual o problema da mãe ter babá?
- O problema? O problema é quando a primeira palavra do filho é o nome da babá.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Registros de um abraço
quarta-feira, 15 de abril de 2009
O muro
sexta-feira, 27 de março de 2009
Quem deve ser eliminado: Ana ou Josi?
Mas tenho que confessar que mesmo sem conhecer a tal Ana, fiquei preocupada com a moça. Pois me contaram que a tal sister é branca e tem olhos azuis... Então é melhor se cuidar, pensei. Tem gente importante que certamente quer eliminá-la.
No vale-tudo do faz-de-conta que eu sou legal, brothers and sisters (não, não é a excelente série do Universal Channel) fazem de tudo, t-u-d-o, para conquistar o tão sonhado um milhão de reais. Até mesmo fingir o que não são para angariar votos. Falam o que o povo quer ouvir. Fazem falsas promessas e juras de amor. Pelo dinheiro, vale-tudo. Ouvi dizer que algo similar acontece em Brasília. E olha o que o “prêmio” é bem mais interessante que apenas um milhão de reais e por lá não tem paredão. Não é o paraíso?
domingo, 15 de março de 2009
Cena de cinema
Um casal relativamente jovem, por volta dos 30 anos, levantou de suas poltronas assim que as luzes se acenderam e foi caminhando em direção a saída. Na tela ainda subiam os letreiros em meio a uma animada dança com muita música indiana. Mas o casal nem se deu conta. Apenas saiu de mãos dadas. Até aí ok, cena normal em qualquer lugar, em qualquer canto do planeta. Mas o que me chamou a atenção foi o fato do tal rapaz sair carregando a bolsa da moça. Juro que não consigo entender isso... E é uma cena que sempre se repete quando vou ao cinema.
Confesso que sempre que um namorado ou ficante (desculpe mas não sei como se diz hoje, na minha época era ficante) se oferecia para carregar a minha bolsa eu já olhava meio de lado e começava a pensar em maneiras de dispensá-lo. Podia até ser o Brad Pitt ou Rodrigo Santoro. Não me importa. Carregar o meu infinito particular?? Jamais!!!!!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Carta a um ilustre aniversariante
Fiquei muito preocupada contigo depois que no último dia 20 de janeiro, São Sebastião, seu padroeiro, comentou comigo que você andava meio cabisbaixo e se sentindo um pouco abandonado. Eu entendo que todo aniversariante vive, de algum modo, um momento de reflexão ao completar mais um ano de vida. E com você não seria diferente. Ainda mais para alguém que irá completar 444 anos de muita história. Mas, caro aniversariante, sorria, pois a era de astecas, incas e maias terminou. Apesar de anos de completo abandono por parte daqueles que deveriam ter cuidado de você, continuas lindo, com uma beleza natural digna de cenário de filme de Bruno Barreto com muita bossa nova como trilha sonora. E olha que em tempos de botox, carbox e afins, beleza natural é coisa rara de se ver.
Faz décadas que freqüento a sua vizinhança, as suas praias, as suas ruas. Faz décadas que fico inebriada por sua estonteante beleza (eu e dezenas de celebridades que se transformam em tietes diante de você). E como uma boa amiga que sou não poderia deixar de lhe presentear com algo em seu aniversário. Porém, a tal crise internacional afetou um pouco meu bolso, apesar de nosso presidente ter dito que isso não aconteceria por aqui. Por isso, resolvi lhe escrever essa carta para que saibas que não esqueci de você. Como esquecer de alguém tão importante em minha vida? Alguém que me viu crescer, namorar, casar. Sei que escrever carta está meio fora de moda, mas sou nostálgica mesmo. Fazer o quê?
Queria muito era ter o poder de voltar no passado só para ver suas ruas e avenidas livres de tantos carros e mendigos. Lamento muito que hoje precise conviver com tanta poluição, trânsito e violência. Imagino como deve se sentir ao presenciar choque de ordem e tropas de elite atuando no seu pedaço. Mas não se preocupe porque se eu encontrar uma máquina do tempo, juro que te convido para viajar comigo, combinado? Assim, quem sabe, podemos juntos tentar evitar que sejas trocado por um planalto que abriga até hoje tantos espécimes corruptos.
Mas preciso te confessar uma coisa. É que apesar de toda a minha admiração por quem é e pelo que representa em minha vida e na de tantas pessoas que conheço, tem algo que discordo de você. Sei que tem muito orgulho em ser anfitrião da mais antiga das festas profanas (só presta atenção porque nas redondezas tem rolado um axé que pode mudar essa história e dar um babado novo). Não que eu não goste de pierrôs e colombinas que, aliás, estão em falta. Meu problema é com a confusão. É com o caos que se instala toda vez que a festa começa. E olha que a cada ano tem começado mais cedo. Os blocos invadem as ruas e eu não consigo sair de casa. Por isso, meu amigo, não me leve a mal, mas realmente não gosto deste tal de carnaval. Como gosto muito de você, espero realmente que me compreendas e não brigues comigo por isso.
Ah! Já ia me esquecendo. Outro dia fui visitar um grande amigo seu. Aquele que ganhou o status de uma das sete novas maravilhas do mundo moderno. Ele me disse que continua de braços abertos sobre a Guanabara, baía à margem da qual você cresceu. Aliás, ficamos tentando imaginar qual não deve ter sido a emoção que sentiu Gaspar de Lemos, o explorador português, quando a avistou pela primeira vez. Conversamos por horas, falamos muito sobre o seu passado. Lembramos quando os franceses tomaram conta de você até que finalmente Estácio de Sá conseguiu a custa de muita luta a sua guarda. Lamentamos ambos não termos estado presentes durante seu nascimento. A nossa prosa, como costumam dizer seus primos mineiros, avançou madrugada adentro. Relembramos o período colonial, imperial e relembramos também aquela época em que você foi o lugar mais importante da República.
Pois é, hoje as coisas são bem diferentes. Mas, não deixe ninguém te diminuir nem falar mal de você. Posso lhe garantir que você, ilustre aniversariante, continua lindo. Continua sendo o Rio de Janeiro, fevereiro e março. Por isso, te deixo aquele abraço!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Viver ou sobreviver: qual a diferença?
Confesso que eu nunca tinha parado para pensar tão profundamente sobre o tema até que, pasmem, assisti ao filme Wall-E. Um desenho animado muito bem feito com um roteiro simples, mas profundo na mensagem que deseja passar. Afinal, é a Terra afundada em lixo e nós terráqueos indo viver literalmente no espaço e levando uma vida bem desinteressante. Resolvi alugar o filme com a idéia de ter um entretenimento leve em um sábado à noite. Porém no meio do filme uma frase dita por um dos personagens me fez sair daquela leveza e mergulhar em um mar de profunda reflexão. Ele simplesmente diz: “eu não quero sobreviver, quero viver”. Pois é. Foi daí que nasceu minha vontade de buscar compreender o significado de cada coisa. Meu primeiro passo, claro, foi pesquisar no dicionário.
Sobreviver, segundo Michaellis é continuar a viver depois de outra pessoa ter morrido... É subsistir depois da perda ou ruína de alguém ou alguma coisa. É escapar de... Subsistir após. Já a definição de viver é existir, é ter vida. É freqüentar a sociedade, ter convivência. Qual lhe parece mais interessante? Pensou? Bom, para mim, viver me parece ser a melhor resposta. Agora, qual lhe parece ser a mais fácil? Bem, tenho que dizer que me parece sobreviver. É ao menos a mais cômoda, a mais segura, aquela em que acreditamos ter mais controle. E nessa tentativa de controlar nossas vidas vamos sobrevivendo. E sem nos darmos conta de que com isso viramos quase robôs, seres que não se emocionam, não se relacionam. Seres que não vivem. Seres com vidas tão desinteressantes quanto a dos personagens humanos de Wall-E que vivem no espaço após terem destruído a Terra com tanto lixo e poluição.
Isso me fez lembrar de uma pessoa que conheci e com quem convivi por muitos anos. Todos os dias para ela eram iguais, sempre a mesma rotina, e era justamente isso que a fazia sentir-se, aparentemente, feliz. Enquanto uns buscam uma vida cheia de emoção, ela buscava uma vida segura, uma vida controlada. Como se fosse possível viver livre de riscos ou incertezas. Mas era nisso que acreditava. Todos os dias ela acordava e como primeira tarefa ia direto para o computador para verificar a previsão do tempo. Informação importante, claro, para quem quer saber exatamente o que vestir. Com esta preciosa informação em mãos, ela se preparava para sair de casa. Mas não sem antes checar também as condições do trânsito pela internet. Com isso poderia escolher o melhor trajeto, o mais seguro, livre de tráfego intenso. Alias tudo que era intenso, evitava. Sua vida era tão programada quanto a vida de um robô. O que ela não entendia é que as melhores coisas da vida não são previsíveis. Pelo contrario, é justamente a imprevisibilidade, a surpresa que tornam o nosso viver mais interessante. Do contrário, vamos apenas sobrevivendo a tudo e a todos.
Um dia não resisti e perguntei a ela: Qual a graça de se levar uma vida monótona, programada, planejada, asseada? Qual a graça de não experimentar a chuva molhando seu rosto? Porque não experimentar a alegria de uma vez passar a noite acordada só para ver o sol nascer? Pronto. Virei a voz do apocalipse. Ficamos um tempo sem nos falar, mas hoje somos grandes amigas e ela já começou a dar seus primeiros passos rumo a uma vida mais livre, mais leve, mais humana. Hoje ela já consegue sair de casa sem checar a previsão do tempo. Mas continua carregando sempre um guarda-chuva e um casaco independente dos 40 graus que estão fazendo na cidade. Tudo bem, digo para ela. Um passo de cada vez. Mudanças levam tempo. O importante é começar.
Pois é, Wall-E pode ter sido para muitos apenas um filme bobo e de criança, mas para mim foi muito mais do que isso. E assim como aquele personagem, eu não quero sobreviver. Quero viver. E você?
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Porque o cabelo de Michelle Obama é liso?
Confesso que durante boa parte do tempo em que assisti a cerimônia de posse do novo presidente dos Estados Unidos, a pergunta que não me saía da cabeça era porque o cabelo de Michelle Obama é liso. E não só o dela, o das filhas também. Aquilo obviamente não é natural e isso me causou certa revolta. Durante a posse assistimos uma apresentação da talentosa cantora negra Aretha Franklin e da poetisa Elizabeth Alexander, também negra.
E durante as horas que assisti a cerimônia fui me dando conta de que ninguém fala da cantora branca Marisa Monte. Diz simplesmente a cantora Marisa Monte. E fui percebendo que meu desconforto com o cabelo de Michelle e suas filhas poderia estar associado a algum tipo de preconceito de minha parte. Será? Duvido. Sempre me considerei uma pessoa zero preconceituosa. Mas, de qualquer modo, resolvi procurar então na internet a definição de preconceito. E encontrei algo no site Wikipedia que me esclareceu sobre o meu sentimento em relação ao cabelo liso da nova primeira-dama norte-americana. Dizia assim: “(...) De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada estereótipo, exemplo: "todos os alemães são prepotentes", "todos os americanos são arrogantes", "todos os ingleses são frios", "todos os baianos são preguiçosos", "todos os paulistas são metidos", etc. (...)” Ora, na minha cabeça, no meu inconsciente “todos os negros tem cabelos encaracolados”. No meu e de muita gente, diga-se de passagem.
Isso me levou a concluir que a errada era eu e não ela. Concluí que tudo realmente não passava de puro preconceito de minha parte. Se a linda, branca e loura Gisele Bundchen aparece nas passarelas desfilando de cabelos cacheados ninguém acha estranho, pelo contrario, elogia, vira moda. Porque brancas podem ter cabelos lisos ou cacheados? Porque só elas tem o direito de escolher? Michelle também tem!
Nosso preconceito seja racial ou social é mais sutil do que imaginamos. E talvez seja por isso mesmo tão difícil combatê-lo. Cabelo liso ou cacheado... Branco, moreno, negro, índio... Rico, pobre, mendigo... Isso não importa. Somos todos humanos, iguais. Com os mesmos direitos e deveres. Ninguém é melhor ou pior pela cor do cabelo ou da pele, muito menos pela quantidade de dinheiro no bolso. Temos diferenças sim, mas é justamente isso que torna a vida e nosso convívio mais ricos e interessantes.

